História

Como surgiu o Parque da Luz de Florianópolis

   O Parque da Luz é uma área verde criada a partir da conscientização comunitária e ambiental e da necessidade de se preservar e manter a beleza cênica e histórica da cabeceira insular da Ponte Hercílio Luz.

   A Associação dos Amigos do Parque da Luz é uma organização não governamental, criada em 1997, com o objetivo de salvaguardar e preservar esta área de grande valor histórico e paisagístico, que hoje chamamos Parque da Luz.

Sem título

A foto, fonte do IHGSC – Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, foi tirada provavelmente do alto de um dos equipamentos, andaimes ou guindastre que levantava as peças das torres da Ponte Hercílio Luz que estavam sendo montadas, percebe-se que a imagem está composta de 3 fotos muito bem tiradas e montadas ou se for uma foto só, a lente angular naquela época era das melhores, pelo tamanho da área de abrangência do campo de abertura horizontal.

     O movimento começou em 1986 com a semente do tombamento da Ponte Hercílio Luz e da sua reabertura para pedestres e ciclistas, bem como o lançamento do projeto do Parque.

   Neste sentido foram realizados inúmeros encontros artísticos musicais, moções científicas e políticas, até que o parque fosse compreendido e assimilado pela cultura urbana como espaço vital hoje, indispensável as atuais e futuras gerações para que possam, na cidade, por os pés no chão, respirar ar puro, ver o nascer e o por do sol.

Início dos plantios e ajardinamento do parque por volta do ano 2001

Dados históricos

       A Colina da Vista Alegre ou o Morro do Barro Vermelho como era chamado o atual Parque da Luz, compunha-se de elevações estruturais sobre um maciço rochoso. Em 1840 o terreno foi destinado as Irmandades e Ordens religiosas e ali instalou-se os Cemitérios no caminho do Estreito, como se chamava então esta região da cidade.Em 1887 já se cogitava remover a necrópole, mas a transferência do Campo Santo para o Bairro ltacorubi prolongou-se até o ano de 1925. E logo após, no ano de 1926 foi inaugurada a Ponte Hercilio Luz.Próximo a área do atual Parque da Luz, tínhamos o Forte Santana (1761) uma das bases do projeto português no extremo sul, e o Forno do Lixo (1910-1914).

Foto histórica do Parque da Luz de Florianópolis

        Ao sul desta área localizava-se o Porto no bairro Rita Maria, os estaleiros, as fábricas de pregos e pontas, de rendas e bordados de Carl Hoepck e a vila operária. Ao longo das últimas décadas o campo santo abrigou passantes, parque de diversões, associações, albergues da juventude, clubes afros, punks e sem tetos. Inaugurada a ponte Hercílio Luz, símbolo arquitetônico da cidade, consolida-se a capital e reabre esta área à vida urbana, paradoxalmente oriente e ocidente se encontram, pois apesar de todo crescimento da cidade desde então permanece uma elevação rochosa, livre, aberta e pública, de onde se descortina um horizonte aberto das duas baias, do sol e da lua e da majestosa travessia, compondo um elo escultural paisagístico, ecológico, artístico e cultural.

Foto atual do Parque da Luz de Florianópolis

Apresentamos um tempo da História do nosso município do final  do século passado ao alvorecer do próximo – de Desterro à Flori.

“Entendemos que a condição insular nos permite ver um pouco além dos tradicionais signos urbanos para vislumbrar os horizontes do céu e mar. Tratamos aqui de uma área do espaço urbano de Florianópolis defronte à Ponte Hercílio Luz, que é uma amostra do Universo,  pois, encerra  no seu entorno os elementais, os marcos e os paradoxos da natureza e da cultura no século.

Esta área que já abrigou o cemitério de Desterro, até a construção da ponte, compõe com ela e a faixa costeira continental um Parque onde estão presentes, em pleno centro urbano, terra, barro, pedra, árvores e pássaros. Um refúgio ermo, bucólico e sintonizado com as almas que eternizam ali a nossa história.

Diante dos conhecidos limites atuais da cidade que se consolida como capital e se expandiu a partir da velha Ponte em 1926, a era do automobilismo e a civilização do ozônio encontram ali o seu início e aqui e agora o seu limiar. Por isso, a Ponte Hercílio Luz deve ser tombada e preservada como uma passarela harmônica de ingresso à Ilha para pedestres e ciclistas e como um museu- escola que preserve a memória do município apesar de reconhecida como patrimônio ambiental da humanidade – não há quem negue isso em sã consciência, a Ilha não tem memória.

Paradoxalmente, última área livre no centro urbano da especulação imobiliária dos paredões, é o Parque da Luz, até porque preserva os horizontes do Mar, da Ponte e das Almas que encarna a sua História. Temos que conter a sede de concreto para que a cidade esteja viva e saudável no século XXI com áreas livres de lazer. A Praça XV não será suficiente. Há que se plantar árvores e mais árvores até para que tenhamos água, ar, sombra, flores, e frutos, chão e espaços para crianças, velhos e tudo o mais que carecem o ofício e a arte de viver numa cidade que cresce cada vez mais mesmo que queiramos preservá-la.

Um historiador deste século nos disse que a História não é feita só do que passa, mas, também e, sobretudo, do que permanece.

                                                                                                             

Etienne – Primavera de 1999

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